O verdadeiro significado do sexo, por Dietrich von Hildebrand – Parte III – A diferença e a complementaridade entre os sexos

É verdade que o caráter especial do amor conjugal se assinala pelo fato de este amor não poder existir senão entre homens e mulheres, e não entre pessoas do mesmo sexo, como ocorre com a amizade e com o amor paterno ou filial. Seria porém incrivelmente superficial considerar tal diferença entre homens e mulheres somente como de ordem biológica. Com efeito, defrontamo-nos com dois tipos complementares de pessoa espiritual na espécie humana.

A diferença entre o homem e a mulher não a devemos exagerar nem subestimar. Por vezes, têm-na exagerado grosseiramente; foi caso, por exemplo, de Aristóteles, ao afirmar que o homem é um ser em ato e a mulher um ser em potência. Ademais, têm-se estabelecido, pelos costumes, no decurso de muitos séculos, diferentes padrões morais para a conduta já do homem, já da mulher. Isso é absolutamente falso. Há uma única moral para ambos, e ambos são igualmente pessoas humanas completas. A natureza humana é idêntica em ambos.

Por outro lado, não se deve subestimar nem reduzir só à biologia a diferença entre o homem e a mulher. Há, sem dúvida, traços especificamente femininos ou masculinos da personalidade. Por mais que as feministas de todas as categorias o tentem negar, ou pelo menos reduzir ao mínimo a existência de características pessoais baseadas no sexo, por mais que as mulheres modernas se mostrem ansiosas por eliminar tal diversidade, adaptando o seu comportamento ao dos homens, usando calças compridas e assim por diante, permanece inegável realidade a diferença na estrutura da personalidade do homem e da mulher. Se tentamos delinear estes traços especificamente femininos ou masculinos, encontramos nas mulheres uma unidade de personalidade decorrente do fato de o coração, o intelecto e o temperamento estarem nela muito mais entrelaçados, ao passo que no homem há uma específica capacidade de emancipar-se, com o intelecto, da esfera afetiva. Aquela unidade do tipo feminino da pessoa humana se revela também em maior unidade na vida interior e exterior, uma unidade de estilo que envolve tanto a alma como o comportamento exterior. Na mulher a própria personalidade se situa mais em primeiro plano do que as realizações objetivas, ao passo que o homem, por ter uma criatividade específica, é mais atraído para as realizações objetivas. (…)

O que importa no nosso contexto é compreender, em primeiro lugar, que o homem e a mulher não só diferem na ordem biológica ou fisiológica, mas são duas expressões diversas da natureza humana; em segundo lugar, que a existência desta duplicidade da natureza humana possui grande valor. Ainda que nos abstenhamos, por enquanto, de todas as razões biológicas, bem como da procriação, temos de compreender como o mundo é mais rico por esta diferença, e que de modo algum é desejável que se elimine demasiadamente esta distinção no reino espiritual. Infelizmente, a tendência neste sentido está demasiadamente disseminada nos dias de hoje.

É necessário compreender também que esta diversidade tem caráter complementar específico. O homem e a mulher são espiritualmente determinados um para o outro – foram criados um para o outro. Em primeiro lugar, têm uma missão recíproca; em segundo lugar, mais do que entre pessoas do mesmo sexo, é possível entre eles, por causa desta diferença complementar, uma comunhão mais íntima e um amor mais perfeito.

A sua missão recíproca revela-se tanto num benéfico enriquecimento mútuo como na diminuição dos perigos a que estão expostos os tipos masculino e feminino do ser humano quando se encontram privados desta influência. A inegável influência enriquecedora manifesta-se numa tensão animadora, numa fecundação no plano puramente espiritual.

Quanto à redução dos perigos, pode-se facilmente notar que os homens correm o risco de se tornar vulgares, esgotados ou despersonalizados pelo seu ofício ou profissão, quando estão completamente afastados de qualquer contato com o mundo feminino; e que as mulheres estão sujeitas a se tornar mesquinhas, egoístas e hipersensíveis, quando estão completamente afastadas de qualquer contato com os homens. Por conseguinte, é uma grande bênção para a criança, do sexo masculino ou feminino, receber a influência tanto do pai como da mãe.

Dietrich von Hildebrand foi um filósofo alemão do séc. XX com publicações em Ética, Estética e Metafísica. Também escreveu abundantemente e apresentou reflexões profundas sobre a natureza do amor, o Matrimônio, a  pureza e a castidade. Este trecho apresentado é parte do livro ‘O amor entre o homem e a mulher’, com tradução de Carlos A. Nougué. Grifos nossos

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Um comentário sobre “O verdadeiro significado do sexo, por Dietrich von Hildebrand – Parte III – A diferença e a complementaridade entre os sexos

  1. Olá! Obrigada por ter relacionado meu blog, Donzela Cristã, como sugestão de leitura! Fiquei muito surpresa… Estava procurando uma coisa no google quando me deparei aqui com o blog. Achei muito bom e incluí na minha lista de recomendações. Estava dando mais uma olhada quando me deparei que o Humanizando o Sexo tambem recomendava o Donzela Cristã. Que grata surpresa! Obrigada! Que Nosso Senhor e a Virgem nos sustentem q guardem neste apostolado da virtude da santa pureza!

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