Pílula do dia seguinte: “bomba” de hormônio

Por Eliane Oliveira

Imagem“A ‘pílula do dia seguinte’ tem como alvo primário o ovo já fecundado; não visa prevenir a fecundação. Não há tempo útil para isso”. Estas são instruções do Tratado de Ginecologia (1994), de Hans Wolfgang Halbe. Conforme estudos de embriologia humana, a vida tem início na fecundação, quando o espermatozoide penetra o óvulo, dando início ao processo de formação e desenvolvimento do ser.

O pesquisador R. Burton demonstrou que essa droga altera os receptores esteroides do útero, tornando-o hostil à implantação do óvulo fecundado. Se a fecundação ocorre, mas o bebê não se implanta no útero, a pílula provoca o abortamento. É mais correto denominar a “pílula do dia seguinte” de “pílula anti-implantação”.

A pílula altera a mobilidade tubária e interfere na função do corpo lúteo essenciais à gestação. É abortiva, e não uma droga de emergência para evitar a gravidez. Com esta pílula, a parafernália exigida para a mulher abortar é menor do que a exigida para um aborto convencional.

Causa indignação a forma como são propositalmente distorcidas as informações acerca desta droga. Ela é constituída por altas doses hormonais, verdadeira “bomba” de hormônio, agredindo o organismo da mulher. A dose de hormônio dela corresponde a quase meia cartela de pílula anticoncepcional para 28 dias. Seus efeitos colaterais: náuseas, vômitos, cefaleia, dores nas mamas, estresse emocional, dor no baixo ventre, risco de gravidez nas trompas, sangramentos e risco de doenças sexualmente transmissíveis como aids e sífilis.

A pílula tem uma percentagem de falha no abortamento e a droga pode causar defeitos graves no bebê, caso a gestação não seja interrompida. Potencializa lesões no fígado; estimula o surgimento de câncer de mama, câncer de útero e câncer de ovário, nas pessoas com predisposição para essas doenças; AVC, doenças coronarianas, trombose de retina, doenças tromboembólicas dentre outras afecções.

A indústria farmacêutica lucra bilhões de dólares com esta droga. Instituições nacionais e internacionais não fazem distinção entre contracepção e aborto. A mulher tem sua saúde extremamente agredida com esta droga e não tem sido devidamente informada acerca de meios sérios para prevenir gestações indesejadas. O médico deve recusar-se a prescrever a pílula do dia seguinte em qualquer situação, usando-se do direito de respeito à sua consciência, como determina o Código de Ética Médica. Afinal, a Medicina tem por princípio hipocrático não prejudicar jamais a saúde humana!

 Eliane Oliveira é médica e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC)

Artigo publicado em O POVO Jornal de Hoje em 19/08/13

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