Carência afetiva feminina… Como lidar com isso?

Nossa afetividade é parte integrante de nossa sexualidade. A sexualidade engloba mais que o ato sexual. É uma dimensão da nossa condição humana manifestada em nosso sexo (feminino) e expressa desde nossa forma anatômica até na visão que temos do mundo. A carência afetiva se manifesta em nós, mulheres, como um desequilíbrio na dimensão afetiva de nossa sexualidade, isto é, em uma dificuldade de nos sentirmos amadas. Ideias equivocadas sobre nossa condição de mulher podem nos levar a sofrimentos desnecessários e dificuldade nos relacionamentos. Para entender um pouco melhor sobre como lidar com a carência afetiva, devemos, antes, atentar-nos para alguns pontos:

  1. Mundo é um meio

Qualquer coisa que você fizer neste mundo -qualquer – é um meio, um caminho, não uma finalidade. Casar? Trabalhar? Ter filhos? Viver solteira? Em qualquer das situações, os anos que vivemos aqui na Terra, as relações sociais que cultivamos, nossos estudos, trabalho, vocação, tudo é um caminho dentre vários que temos para viver nossa vida da melhor maneira possível. O problema é quando fazemos dos meios um fim. Se fizermos da nossa vocação ao matrimônio um fim, todas as dimensões da nossa vida terão como finalidade o matrimônio, e aí a vida fica desordenada. Se seu futuro marido não é como você imaginava, ou se você não consegue encontrar um cara decente para namorar, ou se você, já casada, não está contente com os afazeres e a rotina, tudo isso torna-se um fardo e leva as pessoas ao estado de tristeza e depressão quando se toma o casamento como um fim em si mesmo.

Muitas vezes nosso apego a bens e pessoas cega nossa capacidade de ver novos horizontes, nossas possibilidades, novos rumos. Isso porque nos esquecemos que tudo nesta vida é passageiro, inclusive nós, e que devemos viver cada dia como uma oportunidade de tornar melhor nossa vida e a das outras pessoas.

  1. Visão errada sobre o ato sexual

Já vi muitos exemplos de pessoas enxergando o sexo como algo sujo. Em outro lado, vejo a todo momento notícias, propagandas e comentários banalizando a relação sexual e reduzindo-a à troca de prazer. Em qualquer das situações a visão sobre o sexo está equivocada. O ato sexual une o casal e se abre para gerar uma nova vida. É não somente um ato de recepção de prazer, mas também de entrega de si através do próprio corpo.

É importante colocar o sexo dentro do casamento, pois, especialmente para nós, mulheres, a relação sexual faz com que nos sintamos mais ligadas ao homem. No matrimônio temos esta ligação dentro de uma “barreira” espiritual: não é para qualquer um que estamos entregando nossa intimidade, mas para o nosso marido. Temos confiança. Temos segurança de que no dia seguinte não nos levantaremos e cada um irá para sua casa. Essa entrega não é apenas passageira, mas transcende o tempo do prazer sexual. Ela é uma doação cotidiana, constituída de pequenos atos de cuidado, carinho, esforço e mortificações que fazem parte da convivência diária no casamento. A carência está ligada, muitas vezes, não à entrega, mas à recepção momentânea de afetividade. É por isso que colocar o sexo como algo livre de compromisso faz com que nos sintamos usadas, objetificadas e desprotegidas. Isso tende a aumentar nossa carência e diminuir nossa auto confiança.

  1. A alma e a sexualidade feminina

Que somos diferentes dos homens em questões anatômicas, fisiológicas e psicológicas, creio que todos concordam (há um resumo simples sobre isso aqui).

Como seres humanos, somos constituídos de corpo e alma. Esse “composto” (corpo + alma) é inseparável. Se nossa alma não está bem, nosso corpo também não estará, e vice-versa. Portanto, quando falamos sobre sexualidade, é importante lembrar que esta se relaciona tanto ao nosso aspecto físico, quanto ao nosso aspecto espiritual, e que ambos estão interligados.

Assim como o orgão sexual do homem é mais exterior, sua sexualidade também é mais exterior. O homem gosta de olhar, de ver a beleza feminina. A mulher, bem como seu orgão sexual, é mais interiorizada. Ela gosta de ser olhada, de ser cortejada, de se sentir amada.

É, portanto, normal para nós (para algumas mais, para outras menos, de acordo com personalidade e temperamento) esta necessidade de afeto e de que nos olhem.

Inclusive é normal que em nosso período fértil estejamos mais desejosas de carinho – faz parte da nossa natureza!

O problema está, mais uma vez, no desordenamento disso tudo.

Quando não compreendemos as duas questões anteriores – o que é o sexo e que tudo nesta vida é um meio – tendemos, como mulheres, a dar vozes às nossas carências. Podemos cair na luxúria, em um extremo, ou na completa negação de nossa sexualidade, em outro.

A luxúria, neste caso, não é apenas fornicação, mas também a busca por um objeto afetivo. Se o homem tem tendência a transformar a mulher em objeto sexual, a mulher tem tendência a transformar o homem em objeto de seu afeto. Isso significa depositar em alguém todas as suas carências, querer atenção a todo momento, brigar com o homem quando ele não age como o esperado, cultivar ciúmes sem fundamento e tirar a paz do casal.

Por outro lado, temos algumas mulheres que negam sua sexualidade, porque acham que os desejos que sentem são sempre sensações impuras.

Os dois lados são perigosos. No caso de transformar o homem em objeto afetivo, o que falta à mulher é deixar o relacionamento fluir, não ter medo do futuro, pois entra no que foi exposto no primeiro tópico: transformar o namoro/casamento em um fim em si, e não em um meio. É normal querermos atenção, afeto e ficarmos com ciúmes. Mas a nossa vida não pode depender do nosso namorado/marido! Os homens gostam de espaço, e um relacionamento saudável requer que ambos tenham tempo para si mesmos. Os homens são diferentes da gente. Enquanto estamos colocando mil minhocas na cabeça que eles podem não estar mais interessados em nós porque ficaram algumas horas sem nos dirigir a palavra, eles estão tranquilos, na boa, preocupados com outras coisas (o time de futebol ou um problema no trabalho, por exemplo). Aproveite seu tempo livre para sair com as amigas, ir à Igreja, ficar com seus pais ou avós, fazer alguma obra de caridade ou até praticar algum esporte. Nestas situações é que exercitamos o desapego!

No caso das mulheres que negam sua sexualidade, isso deve ser trabalhado com ajuda espiritual e de um profissional da saúde mental. O que ocorre, nesta situação, é uma dificuldade de compreender a sexualidade. O desejo e atração não são maus em si.  É muito bom que um casal se deseje, afinal, é isso que diferencia, em muito, você namorar um cara e não apenas ser amiga dele. O desejo transparece em muitos atos: beijos, abraços, toques, demonstrações de afeto. O problema reside quando este desejo está fora das rédeas e nos leva a usar a outra pessoa como objeto.

Por fim, a carência desordenada faz uma mulher querer se vestir de maneira vulgar. Não há nada de errado em se vestir bem, usar roupas da moda, maquiagem e um perfume suave. Ser modesta não significa ser brega. Há mulheres escrupulosas que acham que ficar bonita é algo errado, pois chama a atenção dos homens. De maneira alguma!  O erro está em mostrar determinadas partes do corpo de maneira inapropriada, e fazer com os homens SÓ olhem para os atributos físicos. A filósofa Edith Stein, ao estudar a mulher, constatou que a alma ordenada é feminina, discreta e modesta. Se buscarmos a ordenação de nossa alma, as virtudes crescerão juntas, e saberemos, aos poucos, discernir muitas outras questões, entrando as vestimentas neste quesito.

  1. Buscando a ordem

Eu percebo que hoje os homens estão tão acostumados com mulheres fáceis que quando encontram uma moça discreta em seus modos, esta passa a imagem de que é fria ou de que não está interessada no relacionamento. Acontece de determinados temperamentos serem mais frios (eu, por exemplo, sou uma pessoa que não sabe demonstrar afeto), mas acontece de outros serem quentes demais.

É por isso que devemos buscar o equilíbrio. Nesse sentido, mortificações são válidas para contrariarmos nossa vontade e aprendermos a fazer sacrifícios – por nós e pelos outros. Comer uma comida sem tempero, deixar de comer um doce quando se tem vontade, tomar água em temperatura ambiente quando se gostaria de tomar água gelada: estes pequenos atos são exemplos de pequenas contrariedades que nos ajudam a entrar num espírito de sacrifício e, posteriormente, de equilíbrio.

Sobre a carência afetiva, em suma, é normal que nós, mulheres, sintamos necessidade de sermos olhadas, de nos vestirmos bem, de recebermos afeto. O problema está quando isto se torna uma obsessão, ou quando estamos buscando saciar esta necessidade alimentando uma sexualidade desregrada. Nesse caso, é preciso investigar as raízes (aqui no texto apontei algumas). Pode ser que sua carência seja algo mais profundo, talvez tenha a ver com algum sofrimento de sua infância ou adolescência. Assim, é preciso auxilio profissional para que você identifique e resolva estes problemas.

Uma mulher que busca mais doar que receber amor, que tem a alma ordenada e conseguiu se resolver em termos afetivos, se torna muito mais atraente, sabe seu valor e sua dignidade, e constitui casamentos muito mais felizes. Isto porque ela primeiro se colocou em ordem como pessoa antes de se unir e colocar em ordem uma família.

Adaptado do original (com mais informações) do blog Modéstia&Pudor

Por Letícia M Barbano do site http://www.semprefamilia.com.br/

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