Como é possível a pureza? Testemunho de Crystalina Evert

O testemunho de Crystalina Evert é, sem dúvidas, um dos grandes responsáveis pela minha conversão pessoal, e consequentemente pela posterior reflexão a respeito do estilo de vida que levei durante muito tempo, em relacionamentos desordenados e distantes da perspectiva do verdadeiro amor.

O testemunho está em uma das conferências que o casal Evert promove em todo o mundo para adolescentes e jovens na fase colegial.

Crystalina:

“Tive meu primeiro relacionamento sério quando estava no ensino médio. Durante o tempo, acreditávamos estar muito apaixonados e tudo era uma maravilha. Pouco a pouco o nosso tratamento foi ficando muito físico. Lentamente, a pressão começou a aumentar. Ele dizia: “se você realmente me ama… prove”.

E então, com 15 anos, eu perdi minha virgindade. Pensei que isso criaria um laço afetivo mais forte entre nós, pensei que estaríamos mais unidos, apaixonadíssimos. Na realidade, acabou destruindo tudo que restava de amor na relação. E o respeito? Foi-se pela janela.

Por que se eu era incapaz de respeitar o meu próprio corpo, como ele iria respeitar?

Depois de um tempo, com as coisas acontecendo dessa forma, ele já não estava mais comigo, ele simplesmente passava um tempo com o meu corpo.

Mas acontece que uma garota sabe quando ela está sendo usada. No fundo do seu coração ela sabe. Ela pode negar, pode dissimular, mas ela sabe. E eu sabia.

Pouco tempo depois estávamos sempre discutindo, ele me traía, e nossos caminhos se separaram. Nunca me esquecerei do dia em que ele me deixou pela última vez. Enquanto ele saía, eu só era capaz de pensar: “ele leva consigo algo que nunca pertenceu a ele”. Mas eu já não podia recuperar isso.

Certo dia eu falava deste assunto com minhas amigas,  e me decidi: “se um rapaz for capaz de sair comigo por, uns 6 meses, sem tentar dormir comigo, seguramente este me ama.”

Mas quando paro hoje pra pensar em “6 meses”,  6 meses era o preço que valia o meu corpo? Um pouco mais de tempo, de atenção…assim se definia o amor? Mas apesar de tudo,  eu segui pensando assim por muito tempo.

Aquele tinha sido o primeiro cara com quem eu dormi, mas não foi o último, porque aquilo iniciou um ciclo vicioso, e em pouco tempo eu estava presa dentro dele.

E já não os acuso dizendo que os homens é que são o problema. Pelo contrário. Estou convencida de que os homens serão tão cavalheiros quanto nós mulheres formos damas. Mas eu não agia e nem me vestia como uma dama, por isso eles não viam nenhuma necessidade de se elevarem e de se portarem comigo como cavalheiros.

Hoje acredito que muitas meninas acabam cedendo e fazendo sexo com os rapazes com o intuito de receberem deles o amor. E os garotos oferecem “amor” para obter sexo delas, e isso pode funcionar em ambas as direções.

Mas então, com aquela atitude, me lancei nas festas, na bebedeira, nos grupinhos. Em tudo o que vocês puderem pensar eu estava me divertindo, e é atraente, sei bem como é. Mas também sei como era acordar no dia seguinte, quando a festa havia acabado, os amigos haviam ido e eu estava só. Sei o que é acordar pensando: “não acredito no que fiz ontem à noite”, “espero não ver a cara dele no pátio da escola, na segunda-feira”, “e se ele contar pra todo mundo?”, “e se eu eu estiver grávida? O que vou dizer pra minha mãe?”, “e seu tiver pegado uma doença?”. Estas coisas me vinham constantemente à cabeça.

Na noite anterior minhas amigas sempre diziam: “é só um jogo divertido, não se preocupe, não tem importância”. Mas posso garantir que pela manhã o jogo havia acabado, e eu acordava me odiando, com nojo e com arrependimento. No fundo do meu coração eu sabia que aquilo não valia a pena.

Quando eu já levava um tempo nesta vida, minha mãe desconfiou, e quanto mais eu pensava que a enganava, mais eu me enganava.

Um dia ela me disse: “Crystalina, tem uma palestra sobre relacionamento em que você deve ir”.  E eu disse: “Você está de brincadeira? Não quero ouvir um puritano falando sobre sexo. Obrigada, mas não”. Ela insistiu dizendo que eu iria querendo ou não. E eu disse: “Ok, vou, me sento no fundo por 15 minutos e depois caio fora. Vou para a festa ver meus amigos, não tenho tempo”.

Nos 15 minutos que passei sentada ali, minha vida mudou.

Era um cara muito sincero, franco e realista quem falava. Ele falou das meninas, do sexo, da pornografia, das festas… ele havia se metido em tudo isso e havia saído. Eu sentia como se ele pegasse na minha mão e caminhasse pela minha vida, como se ele pudesse ver  as coisas ocultas que mais me envergonhavam, e pensei: “Qual a diferença? Ele fez o mesmo que eu”.

Mas eu o observava e via a paz, a alegria e a segurança que ele demonstrava, e eu não via isso nos meus amigos, nos lugares em que eu ia à noite e, definitivamente, nem nos caras com quem eu saía. E eu buscava isso.

Sobretudo, aquele homem tinha uma qualidade que eu desejava mais que tudo: não se envergonhava de si mesmo.

Eu, sentada em minha cadeira, tentava me lembrar de algum dia que não tivesse sentido vergonha de mim desde que comecei esta vida; não me lembrava de nenhum. Nem um só dia de verdadeira paz e alegria, sem preocupações sobre o que fiz na noite passada, no sábado, no mês anterior… nunca tive paz, andava sempre preocupada.

Entendi, então, que precisava retirar minha honra do fundo do poço e elevá-la o mais alto possível, e que precisava começar respeitando o meu corpo, pelo menos dessa vez. Naquela mesma noite, em casa, escrevi todas as coisas que eu havia feito de mal, e eram muitas, o resultado era esmagador. Em seguida escrevi tudo o que o cara da palestra havia falado,  meti tudo em um envelope e coloquei no meu quarto, porque sabia que no fim de semana viriam as tentações -e posso garantir a vocês: sempre haverão tentações, mas sempre teremos a esperança de vencê-las– e de certa forma, aquele envelope era  minha esperança.

No fim de semana havia uma festa, minhas amigas, garotos… e eu corri para ler meus escritos. Era duro o que me esperava, mas em vez de ceder, escrevi outra carta, e frente à cada tentação de voltar à vida passada, relia minhas cartas e escrevia outra.

Guardo um monte de cartas com os “não” que eu disse em minha vida. Jason (meu noivo) esperou sua futura esposa até os 27 anos, daqui a duas semanas nos casaremos, e eu não posso dizer, sem mentir, que naquelas noites de festas, e naqueles finais de semana de farra com meus amigos, eu me contive por amor a ele, que respeitava o meu corpo por amor ao meu futuro esposo, porque não o fiz, não vou mentir. E posso olhar tranquilamente nos olhos de vocês e dizer que, no entanto, em todos os dias de vida que me restam, vou olhar nos olhos dele e isso me destrói. Pensar que deixei que roubassem um dom que era só para ele e mais ninguém…

Jason sabe de tudo o que fiz em meu passado, sabe e me aceita, e me quer pelo que eu sou agora, isso é o mais importante.

Quando rompi a vida com meus amigos, muitos deles acharam que era piada, pensavam que era brincadeira, riam constantemente de mim dizendo: “você agora é uma puritana? Quer nos converter? Qual é o seu problema?”. Eles simplesmente não entendiam, só sabiam rir de mim o tempo todo.

Um dia, em casa, contei a minha mãe tudo o que estava acontecendo, e o melhor conselho que ela pode me dar foi: “Não se preocupe com isso, não faço caso. Você está fazendo o que é certo”.

Então eu digo a você: se alguém zomba de você por viver uma vida de pureza, castidade e respeito ao corpo, grave as brincadeirinhas. Grave cada palavra que te digam, chegue em casa e escreva em um caderno, se quiser. Porque quando você estiver diante da sua esposa, do seu esposo, no dia do seu casamento, você vai me dizer: “onde estão as brincadeirinhas? Onde estão as piadas?”, quem vai rir de você, então? Ninguém. Haverá um completo silêncio neste dia, e qualquer um dos que zombava de você desejaria poder pagar uma fortuna para estar no seu lugar quando você prometer: “te honrarei e te respeitarei todos os dias da minha vida”.

Aos que preservam sua virgindade, eu digo: tenho o maior respeito por vocês. E penso que isso é impressionante, não se envergonhem disso, se orgulhem. Eu conheço muitos que queriam estar entre vocês, e eu sou uma.

Quanto aos que cometeram erros no passado, não me importa onde estiveram, o que fizeram. Eu também estive e fiz, e nunca é tarde para recomeçar, o que importa agora é para onde você vai a partir daqui.”

 jason-crystalina

Fonte: A Moça Católica

*Crystalina Evert atualmente é casada com Jason Evert, são um um casal católico que dirige o Chastity Project, um ministério voltado para jovens e adolescentes. Crystalina dirige ainda o Women Made New, um ministério para mulheres. Ambos promovem palestras em todo o mundo sobre a virtude da castidade baseados na Teologia do Corpo, de São João Paulo II. Jason e Crystalina Evert são autores de vários livros com a temática castidade.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s