O hábito do amor

Quando se diz que o amor é uma virtude, as pessoas costumam não entender nada. Afinal, tanto “amor” quanto “virtude”, nos dias de hoje, são termos cujo significado aparentemente perdeu-se na noite dos tempos. Mas vamos lá; a questão é importante demais para que possamos deixá-la de lado.

“Virtude” significa, simplesmente, um hábito que é bom. Hábito é aquilo que a gente faz tanto que acaba virando coisa automática. Aprender a dirigir, por exemplo, consiste mais na criação de hábitos que na compreensão racional de para que serve cada pedal ou controle do automóvel. Esta dura alguns minutos, mas levamos centenas, ou mesmo milhares, de horas até sabermos dirigir de verdade. Há hábitos que são ruins (gritar com as pessoas, por exemplo), hábitos que são moralmente neutros, nem bons nem maus (botar o feijão por cima ou por baixo do arroz), e, finalmente, hábitos que são bons. A estes chamamos “virtudes”. A virtude, assim, não é — ao contrário do que parece crer o pessoal que terceirizou para a mídia o raciocínio — nem a hipocrisia nem, muito menos, alguma característica inata da pessoa.

A hipocrisia, já disse alguém mais esperto que eu, é a homenagem que o vício (o mau hábito) presta à virtude (o bom hábito). O hipócrita faz habitualmente a coisa errada, mas elogia a coisa certa e finge que ela é que lhe é habitual.

a virtude, como vimos, é o bom hábito, é aquilo que à força de repetições tornou-se tão natural quanto botar o cinto de segurança quando se vai sair de carro ou derramar um pouco de detergente na esponja quando se vai lavar louça. Ela não tem nada a ver com aparências; muito pelo contrário, aliás. Algo que é verdadeiramente um hábito é feito sem que pensemos nele, logo, claro, sem que nos importe se alguém está olhando ou não. É isso, afinal, o que realmente caracteriza o hábito: o fato de ele ter sido tão internalizado que fazê-lo independe de qualquer estímulo externo, ou mesmo de decisão racional. Se alguém precisa pensar “vou botar detergente na esponja”, é porque essa pessoa não tem o hábito de fazê-lo. É simples assim.

E como entra o amor nessa história? Bom, para isso, precisamos primeiro entender o que venha a ser amor. A primeira diferença que é preciso traçar, neste nosso confuso Século XXI, é entre amor e sexo, ou, antes, entre amor e luxúria. Existe normalmente desejo sexual no amor conjugal, o que faz com que o pessoal que gosta de confundir as coisas tenha um finca-pé de onde tentar fazer com que se esqueça o todo em favor de uma pequena parte.* Ou seja: algum amor traz consigo desejo sexual, como alguma comida tem pimenta, mas “amor” e “desejo” são tão sinônimos quanto “ardência” e “alimento”.

  • *Aqui o autor critica o fato, de que se tem reduzido a sexualidade humana apenas à genitalidade.

O amor é muito maior. É ele que, em diferentes gradações e — retomando a metáfora anterior — “sabores”, nos une à pátria, aos amigos, aos parentes e ao cônjuge. O amor consiste, fundamentalmente, de uma entrega de si mesmo. Ele não é um sentimento, não é uma sensação, não é uma emoção, não é nenhuma dessas coisas que podem, sim, servir-lhe de indicadores, mas que não tocam em seu cerne mais essencial. Todo amor traz consigo, sim, um sentimento; todo amor pode, ou mesmo deve, despertar algumas emoções em algumas ocasiões. Essas coisas, todavia, são apenas sinais de algo que está por baixo de tudo, de algo que realmente existe: o amor.

O sentimento ou emoção está para o amor como a fumaça para o fogo, e muitas vezes — que nos digam os churrasqueiros — a forma mais duradoura, forte e útil do fogo não são chamas rápidas como as do fogo que rapidamente destrói seu combustível, o fogo de palha ou de papel. Muitas vezes é a brasa forte de uma madeira dura que continua a gerar calor, que perdura por baixo da cinza, que é capaz de levantar-se em chama (e assim gerar a fumaça, que parecia ter desaparecido) quando necessário.

A paixão — ou, para ser ainda mais claro, a “paixonite” passageira — é como aquele fogo que consome uma folha de papel ou alguns mililitros de álcool: forte, alto e rápido, ele pode ser muito útil para acender a brasa forte e duradoura do carvão, mas só. O amor é outra coisa.

O amor, como disse acima, é primordialmente uma entrega de si. É por isso que Madre Teresa disse que amor de verdade dói; não porque ele seria uma emoção forte a fazer menininhas suspirosas delirar acerca de algum cantorzinho que nem sabe que elas existem, mas porque a entrega de si é a entrega do que temos de mais valioso, daquilo que ninguém mais pode arrancar de nós. É possível arrancar de alguém todos os seus bens materiais; é possível, mesmo, arrancar de alguém as pessoas que ela ama, ou mesmo impedi-la de voltar aonde ela mora. O que não se pode fazer é obrigar alguém a dar-se a algo ou alguém. Mesmo que a pessoa seja ameaçada e assine qualquer pedaço de papel ou grave depoimentos mentirosos em vídeo, tudo isso será necessariamente da boca para fora. Quem ela realmente é continuará intocado, dentro dela mesma, e só ela poderá dar de si a outrem.

Esta entrega, contudo, é algo potencialmente doloroso. De uma certa forma, trata-se de dar a outrem, de expor a circunstâncias fora do nosso controle, não apenas o acesso a nosso interior mais íntimo, como uma certa medida de influência ou mesmo controle sobre ele. É por isso que é tão perigoso “errar o alvo” do amor, coisa que as pessoas fazem o tempo todo. Não estou nem falando de amar pessoas que não mereceriam aquele tipo de amor (pois todos merecem algum tipo, e amar mesmo os inimigos é um mandamento divino para os cristãos). Falo de coisas mais simples: quem ama as aparências, por exemplo, vai se ver endividado para mantê-las, vai perder noites de sono com besteiras rematadas acerca de o que Fulano ou Beltrano terão pensado do preço de seu carro ou telefone, etc. Isso acontece porque a pessoa deu um pedaço dela mesma ao mundo, como quem pendurasse o próprio coração na praça com uma plaquinha dizendo “me chute”. A entrega dela mesma, o investimento emocional que ela coloca em besteiras, faz com que ela se fragilize e se torne presa fácil de aproveitadores.

O mesmo, ainda, pode ser visto naqueles que amam desordenadamente o próprio trabalho, e por isso deixam de lado a família para dedicar-se a este, que deveria estar a serviço daquela. Ou nos que amam o prazer venéreo, ou o dinheiro, e por aí vai. Amores desordenados são maus hábitos, e na verdade são falsos amores: são entregas desordenadas de si mesmo, não amores reais, à imagem do amor de Deus por nós.

Já o amor verdadeiro é uma entrega ordenada de si. Ele é potencialmente doloroso, claro, e na prática — dada a nossa natureza, e as consequências do Pecado Original — ele vai sempre acabar sendo. É por isso que quando nos casamos prometemos a nosso cônjuge ser-lhe fiel, amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. É certo que teremos de tudo, que haverá momentos em que é essa entrega que fizemos e fazemos (posto que ela há de ser, justamente, um hábito) que nos dará forças para continuar, mas em outros ela será como ter um gancho cravado na carne, sendo mexido e puxado sem que possamos fazer nada.

Mas como fazer efetivamente do amor um bom hábito, ou seja, uma virtude? A primeira coisa é determinar-lhe o objeto adequado. O amor que se dá a um cônjuge — ao lado de quem juramos que ficaremos até a morte! — não pode ser dado a alguém com quem não se tem compromisso algum, por exemplo. Da mesma forma, o amor que se deve ter a nossa própria pátria não pode ser dado a outro país, por mais que a facilidade de idealizar o que é distinto do que vivemos faça com que isso seja tão fácil quanto apaixonar-se por um cantor ou ator estrangeiro é fácil para uma mocinha núbil, mas fútil.

Assim, o amor que se tem a um namorado não pode ser o mesmo que se lhe dará depois do casamento. Isso inclui, mas não se esgota, é claro, nas relações sexuais. Convém lembrar que sexo serve para três coisas: ter filhos (coisa que hoje em dia se consegue mais ou menos sabotar com pílulas de hormônio ou barreiras de borracha), unir o casal e aliviar a concupiscência. Ora, no namoro, é natural que a atenção semi-exclusiva e focada que se dá ao parceiro aumente a concupiscência, o que por sua vez vai fazer com que — especialmente na sociedade hipersexualizada de hoje — seja necessário um esforço realmente heroico para manter-se do lado certo da roupa de baixo dele.

Daí vem outro problema, que é o fato de que o sexo irá unir mais o casal. Essa é uma das suas funções, afinal. Mas unindo-o sem que haja compromisso algum, essa união será potencialmente muito perigosa, conduzindo via de regra a uma entrega excessiva de si mesmo, a uma dependência excessiva do outro, que, dadas as circunstâncias — ausência de laço permanente, no mais das vezes até mesmo de vida em comum, tornando mais “intensos” os momentos passados juntos, etc. –, é receita certa para enorme sofrimento em ambas as partes.

O namoro, afinal, deve ser a etapa da relação durante a qual se tenta discernir se é efetivamente aquela a pessoa a quem iremos fazer aquele juramento de entrega quase absoluta. É naquele momento que se deve tentar discernir diferenças que podem tornar praticamente impossível que essa entrega funcione sem muita dor, que se deve descobrir com quem se está lidando. Depois será tarde demais, e se usamos antes da hora o [sexo] expediente projetado pelo próprio Criador para aumentar a união dos casais casados, coisas que nos fariam ficar com a pulga atrás da orelha, que fariam soar um alarme interno, serão abafadas pela união que vem do sexo.

Ora, no começo do matrimônio, quando os dois estão descobrindo todas aquelas miríades de pequenas incompatibilidades que nossa natureza decaída torna impossível não haver, é aquela união fomentada pelo sexo que irá aplainar o caminho. Usá-la antes do compromisso matrimonial é sabotar a relação, cegando-se aos problemas na hora em que se deveria estar a identificá-los para tomar uma decisão consciente, e assim “gastando” a graxa que deveria ser usada para lubrificar o atrito dos primeiros meses, ou mesmo anos, do casamento.

O mesmo vale, claro, para outras formas de entrega excessiva que não têm lugar fora do matrimônio, ainda que os efeitos delas não sejam tão fortes e potencialmente perigosos. É o caso da união de finanças, por exemplo, que pode e deve ser feita por casais casados mas que é um ato temerário no caso de namorados, ou de inúmeras outras formas de botar o carro adiante dos bois. Há mesmo, hoje em dia, quem construa casa junto antes de casar, como se o matrimônio não servisse justamente para que se possa fazer esse tipo de coisa sem que seja uma possibilidade aberta ir cada um para seu lado e todo aquele investimento ter sido jogado no lixo. Já vi gente passar anos investindo seu suado dinheirinho para levantar uma casa em cima da laje da sogra, apenas para depois ver outra pessoa ir morar lá. É simplesmente loucura.

Aliás, diga-se de passagem, é coisa muito insensata e perigosa isso de ficar anos a fio namorando. O namoro serve para ver se é aquela pessoa. Se for, deve-se casar com ela. Se não for, deve-se partir para a próxima. Se depois de mais de um ano não sabemos se ela é a pessoa certa, é evidente que ela não é. Fazer do namoro uma relação costumeira, que dura anos, é algo perigosíssimo, pois a relação matrimonial será forçosamente diferente daquela. Namorar por mais que alguns meses* é envenenar e dificultar a relação matrimonial posterior. Notem que as graças de estado que nos são dadas pelo sacramento do matrimônio são eficazes, e que até mesmo o que vou explicitar no resto deste texto pode aplainar muitas rugas, mas para quê procurar problemas? Namoro longo encrua e dificulta o casamento, e é algo que deve ser evitado. 

  • *O autor não especifica o período, mas recomendamos que não seja tão breve, como também não se deve prolongar o namoro por tantos anos.

Mas então, finalmente, tendo o objeto correto do nosso amor (a pátria que é nossa, não a dos outros; o cônjuge, não o namorado, ou — ao contrário — o namorado, não o cônjuge; são formas diversas de amor), como fazer dele uma virtude, ou seja, um bom hábito? Ora, como se faz para criar qualquer outro bom hábito: pela repetição. É coisa interessante e curiosa como nosso corpo e nossa mente, que são uma só pessoa, uma unidade substancial, sempre agem em conjunto. Daí a eficácia do sexo como instrumento de união, de que tratamos acima. Há muitos outros elementos que têm a mesma ação, em que o corpo direciona a mente e a mente direciona o corpo. É fato sabido, por exemplo, que se fizermos (bem feita!) a expressão que indica uma determinada emoção, nós nos forçamos a ter aquela emoção. Assim, por exemplo, se a pessoa faz cara de tristeza profunda, ela vai acabar ficando triste. Da mesma forma, quem sorri (de verdade, com os olhos, não só com os lábios) fica um pouco mais contente.

O hábito do amor é construído de pequenas coisas. A primeira delas é a custódia da nossa atenção. No caso do amor conjugal, por exemplo, quando estamos pela força de nosso juramento comprometidos a ficar pelo resto da vida ao lado daquela pessoa, é essencial que criemos o hábito de reparar em tudo o que ela faz de bom. É fácil deixar com que as coisas boas que a pessoa faz passem desapercebidas, mas é um dever do cônjuge prestar atenção nas coisas boas que seu cônjuge faz, para incentivar a admiração que se deve ter por ele. Quando se trata de coisas que nós mesmos não conseguimos fazer, então, melhor ainda. Assim, é importantíssimo que prestemos atenção em tudo o que nosso cônjuge faz, e tomemos nota mental das coisas que ele faz bem feito.

Mais ainda — e aí já entramos no próximo ponto — é muito bom que o elogiemos por aquelas coisas. Ao fazê-lo, não estamos apenas reconhecendo seus esforços e talentos, mas também — o que é ainda mais importante para do que estamos tratando — estamos fazendo com que nós mesmos não deixemos de ter aquela admiração, que facilmente seria deixada de lado pelo simples fato de que após anos de casamento torna-se “normal” que aquela pessoa consiga fazer aquelas coisas daquela maneira. E o que é normal não existe, como nossa respiração, em que só conseguimos reparar quando ela se faz artificial, porque a consciência da respiração é o mesmo que a respiração consciente.

Se, contudo, criamos o hábito de reparar nas coisas que nosso cônjuge faz bem, essas coisas jamais se perdem no pano de fundo, jamais se tornam algo que não é digno de nota, algo que só perceberíamos no dia em que nos faltasse. E daí, como apontei acima, vem o próximo passo: o elogio, o agradecimento, o reconhecimento aberto. Devemos agradecer sempre que alguém nos ajuda ou nos serve. Sempre. Todo mundo. Do caixa do mercado ao presidente da república, do garçom ao policial, deve ser hábito do cristão agradecer quando se é ajudado ou servido. E o mesmo vale, com ainda mais força, dentro de relações amorosas mais fortes, como as familiares, conjugais, ou mesmo de namoro.

Deixar que o outro nos dê algo sem agradecer-lhe pelo que fez é diminuí-lo, é fazer dele um robô, uma máquina. E não estou falando de como ele há de perceber a ausência de agradecimento, mesmo porque é provável que ele nem repare, se, justamente, não houver este hábito. Estou falando de como o perceberemos em nosso interior. Dizer “obrigado” é uma forma de obrigar-se, de dar um pouco de si. Se não agradecemos, estamos negando-nos mentalmente a presença daquela pessoa, e estamos declarando para nós mesmos que o auxílio que ela nos presta é irrelevante e inútil. Estamos, em suma, nos envenenando e diminuindo o nosso amor por ela. Se, ao contrário, criamos em nós mesmos o hábito de agradecer sempre, de elogiar sempre, estamos reconhecendo a humanidade do próximo e seu direito de ser percebido, reconhecido e, claro, amado.

De outra maneira, que é contudo essencialmente igual, isso vale também para os amores impessoais: à Pátria, à Igreja, etc. Devemos reconhecer o que há de bom e tornar um hábito prestar atenção consciente nessas coisas para que não as deixemos virar ruído de fundo, para só perceber o valor delas quando um dia as perdermos. No caso destes amores, o agradecimento também é — para os fins de que estamos tratando — algo importantíssimo para si mesmo, ainda que não seja necessário fazê-lo para com o próximo. Em outras palavras: quando agradecemos a nosso cônjuge, estamos 80% nos treinando a dar-lhe o respeito que lhe prometemos no matrimônio, e 20% efetivamente demonstrando este respeito na prática. O agradecimento não é o respeito: ele é mero sinal do respeito, como o calor é sinal do fogo, e ele é algo que forma esse respeito dentro de nós. Ser, assim, grato à nossa Pátria é algo que nos dá aqueles 80%; os demais 20%, ao contrário do que ocorre no matrimônio ou na amizade, serão normalmente expressados de outra forma: estudando, trabalhando para torná-la um lugar melhor para nossos filhos, etc.

Da mesma maneira, assim como devemos criar em nós mesmos o hábito de perceber, apreciar e reconhecer as coisas boas de nosso cônjuge, devemos criar o hábito de buscar ao máximo entender e relevar as coisas que nos desagradam. É o lado da mesma moeda do amor. Notem que não se trata de “esquecer” ou ignorar as coisas que nos desagradam, mas de criar o hábito consciente de colocar-se no lugar do outro para entender de onde vem e para onde vai aquilo que nos desagrada.

É este discernimento que é importante, em grande medida, fazer durante o tempo de namoro, aliás, e é ele que muitas vezes terá suas rugas e degraus aplainados pelo sexo no início do matrimônio. Mas ele deve sempre ser feito; nada nos envenenaria mais que simplesmente guardar para si uma listinha mental de coisas ruins que nosso cônjuge fez, como se ele as houvesse feito por pura maldade. Isso seria uma maneira de nos treinar para não o amar.

Ao contrário, devemos sempre tentar entender o que causou cada uma daquelas ações ou omissões que nos desagradaram; é praticamente certo, a não ser que se esteja em uma relação profundamente doentia e viciosa, que a pessoa não há de ter feito aquilo por maldade. Mas também é bastante provável que muitas dessas coisas que nos desagradam sejam inatas nela. Pessoas distraídas, por exemplo, não deixarão jamais de ser distraídas, por mais que façam força para isso. Se não nos damos conta, todavia, de que a maneira como nosso cônjuge percebe o mundo é diferente da nossa, que ele é mais distraído (ou, ao contrário, que ele presta uma tremenda atenção em coisas que para nós são irrelevantes, e isso o mantém ocupado quando em nossa opinião ele deveria estar fazendo outra coisa), será fácil cair no erro absurdo e venenoso de achar que ele fez isso ou aquilo por maldade.

Algumas coisas chatinhas são da natureza do homem e da mulher, e todo casal tem que lidar com elas; outras são da personalidade de cada um. Mas todas elas são coisas que temos que nos treinar a relevar num cônjuge, pai, filho ou irmão; num namorado, são coisas que temos que examinar muito bem para decidir se queremos ou não conviver com aquilo pelos próximos setenta anos. Mas algumas sempre aparecerão só depois do matrimônio, e é por isso que Deus nos fez tão facilmente uníveis pelo sexo: para que no começo da relação matrimonial tenhamos algo a azeitar as engrenagens do nosso mecanismo de construção do hábito do amor.

Temos que criar, mais uma vez, o hábito consciente que, justamente por fazer-se hábito, um dia irá se tornar inconsciente, de relevar aquilo que não pode ser mudado e não é nem jamais seria expressão de uma suposta maldade da pessoa que amamos. Assim como alguém que tem dois metros de altura não cabe em um carro pequeno, assim como alguém que tem um metro e meio não alcança o armário de cima sem um banquinho, alguém que é distraído não vai reparar nisso ou naquilo que para nós é importante, etc. Não se pode cobrar isso dela. Nós temos que relevar, pois, justamente, é disso — de entrega e de perdão, muitas vezes doloroso — que consiste o amor.

A questão é torná-lo habitual. Vai doer? Claro. Se não doesse não seria amor de verdade. Mas assim como ele dói, ele pode nos dar alegrias que nada mais nos daria. Amar vale a pena.

Por: Prof. Carlos Ramalhete

Fonte: medium.com/@carlosramalhete

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