É preciso fazer sexo para saber se há “química”?

Sabe aquela história de que tem que fazer, um “teste-drive sexual”, para não correr o risco de, após o casamento chegar na “hora H” e, ter a frustração de descobrir que não rolou uma compatibilidade sexual, não rolou química entre o casal, pois é, será que é assim mesmo que  as coisas acontecem com casais que vivem a castidade desde o namoro?

E mais, a maioria dos relacionamentos amorosos que você conhece terminaram pelo fator “compatibilidade sexual” ou por outros motivos relacionados à personalidade, caráter, valores e atitudes do outro, principalmente fora das “quatro paredes”?
(Faça uma pausa e tente responder as perguntas iniciais antes de continuar).

Então, é muito comum ouvir falar sobre a química sexual. Muitos defendem a ideia de que é importante conhecer sexualmente o parceiro antes de se casar, pois esta seria a única maneira de saber se há química entre os dois.

Mais ainda: parece quase uma obrigação “experimentar a mercadoria antes de comprar”, para evitar o risco de encontrar uma suposta incompatibilidade sexual que levaria inevitavelmente ao fracasso conjugal.

Mas… será assim mesmo?

Você já se perguntou por que algumas pessoas nos atraem, enquanto somos absolutamente indiferentes a outras? Ou por que surge o romance e a paixão em algumas ocasiões e, em outras, isso simplesmente não acontece, por mais interessante que a pessoa seja?

O que responde a todas estas perguntas se chama “química”. A química existe ou não existe, desde o começo, e ponto. Ela se dá já desde o primeiro olhar, e é algo que inclusive se reflete fisicamente, com a dilatação das pupilas.

Quando há química entre duas pessoas, seus cérebros liberam dopamina, e o sistema endócrino libera adrenalina; isso faz com que haja mais fluxo de sangue no estômago, causando essa sensação de “borboletas no estômago”. Também devido a isso, podemos ficar mais corados nas bochechas.

Isso responde à nossa pergunta inicial: é pouco científico pensar ou argumentar que é preciso fazer sexo antes do casamento para ver se existe química sexual no casal, pois tal compatibilidade pode se dar inclusive sem contato físico algum.

A química sexual começa com uma atração desde o primeiro olhar, chegando a despertar o desejo sexual pela outra pessoa – desejo este que precisa ser regulado pela virtude da castidade.

No entanto, ainda que o sexo seja importante, não é o único nem o mais importante ingrediente do casamento. Um bom casamento, como um bom entendimento sexual entre os esposos, não é algo que chega pronto: é preciso ir construindo esta realidade.

Para isso, é importante conhecer bem a pessoa antes de dar estes passos. Não nos referimos a um conhecimento que se dá por exploração do corpo, mas a um conhecimento profundo, da alma e do coração. Conhecer a pessoa mais a fundo (intimamente) possível, suas virtudes, defeitos, desejos, projetos de vida familiar, profissional, valores éticos, morais e espirituais. Tudo isso descobrimos através do diálogo e convivência, não entre “quatro paredes”.

Em outras palavras, é preciso amar inteligentemente, não se distrair com a atração e com a tal química sexual, e nem mesmo pelos sentimentos e emoções intensas.

É preciso colocar o raciocínio acima disso, analisar se essa é a pessoa que fará você feliz, com seus defeitos e qualidades, e sobretudo estabelecer uma ótima amizade, que se fortaleça mediante o contínuo diálogo e profunda comunicação das existências.

Este conhecimento e comunhão profundos só são possíveis no Senhor, na medida em que nós O conhecemos e amamos. Dele procede a luz para conhecer o mistério mais elevado que é o ser humano, que é o outro, e que sou eu, e, ao mesmo tempo, Ele é a fonte inesgotável do verdadeiro amor humano.

Portanto, mais do que preocupar-se com a química sexual, é preciso buscar a química espiritual, que é, em última instância, o que manterá o casal unido no amor que não acaba.

Para finalizar, deixo outra pergunta, agora para que você responda no seu intimo: para você, o sexo é a coisa mais importante num relacionamento?Depois faça essa mesma pergunta a um casal que possui seus 10, 20, 30 40, 50 anos de casados e veja o que vão te dizer. Se sua resposta foi “sim”, pode ser que necessite considerá-la, pois, talvez não tenha percebido que é sempre esse tipo de relacionamento – de conhecer o corpo depois a pessoa – que você tem atraído para a sua vida. E o sonho de encontrar a pessoal ideal talvez nunca chegue pelo mesmo motivo.

O que observamos é que “muitos namorados não chegam a alcançar a intimidade durante o namoro. Estão demasiados ocupados em beijar-se e abraçar-se (entre outras coisas), quando deveriam falar dos profundos sentimentos que lhe dominam o coração.”¹

Por: Christian Pacheco

Fonte: Extraído e adaptado de Aleteia

¹ O namoro cristão em um mundo supersexualizado – Pe. Thomas G. Morrow.

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