Castidade, defesa do amor contra o egoísmo

A castidade: amor, lenda, mito, repressão? Parafraseando uma famosa frase de Fulton Sheen, eu diria que, não existem cem pessoas que desprezam a castidade, mas existem milhões que desprezam aquilo que pensam erroneamente ser a castidade, contudo, também existem milhões – principalmente jovens – que vivem a castidade por exatamente saber seu verdadeiro sentido, traduzimos esse texto especial para você compreender melhor sobre o assunto, e ao final poderá constatar que o seu teor religioso prova o quão equivocada a sociedade está sobre o assunto.

Ser casto é alcançar todo nosso ser: inteligência, vontade, afetos e corpo são dominados por nós mesmos.

Hoje em dia a palavra castidade está tão desvalorizada. Muitos pensam nela como sinônimo de repressão sexual, mas é por pura ignorância do seu significado e de seu imenso valor na vida humana.

A VIRTUDE DA CASTIDADE

O Papa João Paulo II, em sua exortação apostólica “Familiaris Consortio” nos fala da castidade:

“Segundo a visão cristã, a castidade não significa nem a recusa nem desprezo pela sexualidade humana: ela significa antes a energia espiritual que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, e sabe suscitá-lo para sua plena realização.” (FC 33).

O verdadeiro conceito da castidade é muito diferente da ideia que geralmente temos sobre ela! Ser casto é viver o amor sem egoísmo.

O Catecismo da Igreja Católica também nos diz sobre a castidade:

“A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa, e com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual.” (CIC 2337).

Ser casto ou casta, é fazer que todo nosso ser: inteligência, vontade, afetos e corpo estejam dominados por nós mesmos, como o diretor de uma banda municipal controla desde o centro da mesma, a todos e cada um dos instrumentos para criar uma bela melodia. No caso da pessoa humana, homem ou mulher, é integrar sua sexualidade, feminina ou masculina, ser dono de si mesmo: conhecer seu corpo, seus sentimentos, suas tendências sexuais, suas capacidades de pensar, de amar e de decidir, e ser responsável por todas suas ações.

SER CASTO NÃO SIGNIFICA:

  1. Não sentir atração por alguém de sexo oposto que não seja o cônjuge, mas que sabe, por quem optou voluntáriamente para estar ao seu lado.
  2. Não ter sentimentos por outras pessoas, mas saber dominar tais sentimentos, e não ser dominado por eles.
  3. Não sentir emoções ou desejos sexuais por outra pessoa que não seja o próprio cônjuge, mas tendo domínio de si, além de não deixar-se levar por eles procura evitá-los.*
  4. Não ter maus pensamentos, mas saber tirá-los de nossas mentes e não deleitar-se com eles.
  5. Que o homem ou a mulher corajosa não sente medo, mas que ao senti-lo, o vence e não se deixa vencer por ele.
  6. Que o homem ou a mulher casto não é o que não sente os impulsos de sua tendência sexual, mas o que, ao senti-los, os domina. Não é escravizado por eles, mas é senhor(a) deles de forma responsável.

Se o homem e a mulher ao se casar, prometeram ser fiéis, se comprometeram a doar-se totalmente, irão esforçar-se, portanto, para serem responsáveis pelas consequências daquela decisão que livremente tomaram no dia de seu casamento.

No entanto, a virtude da castidade não é nada mais que essa força que orienta o espírito para defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, mas que, além disso, sabe capacitá-lo para sua plena realização.

Sim. A pessoa casta é promotora do amor a seu cônjuge. Procurará livre e espontaneamente todas as oportunidades para aumentar esse amor; aproveitará todas as circunstâncias de sua vida para fortalecê-lo; cada dia vai querer que seja melhor.

E levar o amor a sua realização perfeita, tanto na entrega pessoal total para o seu cônjuge, visando alcançar seu objetivo final: o Amor, Deus.

A virtude da castidade, portanto, envolve a integridade da pessoa e a totalidade do dom.

A INTEGRIDADE DA PESSOA

Na antiguidade das grandes culturas costumava esculpir as estátuas de pedras enormes. Carregava-se a grande distância o bloco que o escultor transformaria em monumento. Estátuas de uma única pedra. Estátuas monolíticas. Da mesma forma, as pessoas devem ser monolíticas, de uma só pedra, de um só querer, de um só agir. Isso é o que chamamos a integridade da pessoa. Ou seja, manter as forças da vida e do amor depositadas em cada um de nós. A castidade nos permite combinar tudo o que somos em uma unidade.

Portanto, a castidade requer que aprendamos dominar a nós mesmos, a tomar as rédeas de nosso próprio corpo, de nossas emoções, de nossa vontade. Aprender a dominar-nos livremente. Sejamos mestres e senhores do nosso ser. A alternativa é clara:

ou o homem controla suas paixões e obtém a paz;
ou se deixa dominar por elas e se torna infeliz.

O homem torna-se livre quando domina suas paixões, quando rompe toda dependência delas.

Na constituição “Gaudium et Spes”, do concílio Vaticano II nos diz:

A dignidade do homem [exige] que ele proceda segundo a própria consciência e por livre adesão, ou seja, movido e induzido pessoalmente desde dentro e não levado por cegos impulsos interiores ou por mera coação externa. O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes (GS 17).

 

MEIOS PARA ALCANÇAR A CASTIDADE

Portanto, é necessário batalhar. Se você quer ser fiel as promessas de seu batismo, ser fiel a seu compromisso matrimonial, se quer resistir as tentações, deverá aplicar os meios [necessários]. E, quais serão os melhores meios?

  1. Primeiro de tudo, conheça a si mesmo. Saiba como você é, suas tendências, suas qualidades, seus defeitos. Assim, saberá naturalmente com o que conta.
  2. Aceite-se. Seja humilde e reconheça, sem medo e com objetividade, quem você realmente é.
  3. Supere-se. Não é suficiente que se conheça e que se aceite. É preciso pegar o cinzel e o martelo e dedicar-se com trabalho e esforço a esculpir a bela estátua de sua grandeza. É o que a Igreja chama ascese.
  4. Procure viver em tua vida a obediência aos mandamentos divinos.
  5. Esforce-se em praticar as virtudes morais, como a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
  6. E, finalmente, seja fiel à oração. Ela te aproxima de Deus Nosso Senhor. Ele é quem pode lhe dar força para viver estes meios.

Santo Agostinho nos disse no livro de suas Confissões: “A castidade nos restaura; reconduz-nos à unidade que perdemos dispersando-nos”. (Conf. 10,29; 40)

A castidade é parte da virtude cardeal da temperança, que nos ajuda a pensar melhor sobre as paixões e os apetites da sensibilidade humana, e a dominá-los, para não nos deixar levar por eles.

Dominar a si mesmo é um trabalho que tem que durar a vida toda. Ninguém nunca poderá dizer que se domina completamente. Não. Deve haver sempre o esforço para alcançá-lo. Há fases na vida que o esforço tem que ser maior, especialmente quando é formada a personalidade, durante a infância e adolescência.

A castidade tem suas leis de crescimento, vai desde a imperfeição, algumas vezes inclui o pecado, até sua experiência profunda.

O Papa João Paulo II nos disse:

“Mas o homem, chamado a viver responsavelmente o plano sapiente e amoroso de Deus, é um ser histórico que se constrói, dia a dia com numerosas decisões livres: por isso ele conhece, ama e cumpre o bem moral segundo as etapas de crescimento.”   (FC – n.34).

A castidade é uma virtude moral. Mas, também, é um dom de Deus, uma graça, um fruto do trabalho espiritual, como nos diz São Paulo em sua carta aos Gálatas:

“Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências.” (Gál 5, 22-25).

É um dom de Deus, pois, o Espírito Santo, concede ao que foi renovado pela água do batismo, imitar a pureza de Cristo.

A INTEGRALIDADE DA DOAÇÃO DE SI MESMO*

A caridade é a alma de todas as virtudes, ilumina todas e dá-lhes vida. Assim, a castidade, sob a influência da caridade, torna-se uma escola de doação da pessoa. O ser humano ao dominar-se a si mesmo se dá, se entrega, se doa completamente aos demais. Pensa sobre os outros, ama os outros, uma vez que rompeu com a escravidão do egoísmo. A pessoa casta é generosa, amável, desapegada de si mesmo, pensa nos outros.

A pessoa casta, por doar-se aos outros, torna-se um autêntico testemunho de fidelidade e da ternura de Deus. Como faltam em nosso mundo testemunhas de Deus!

Testemunhas autênticas que, com sua vida, faz Deus presente nas ruas, nas praças, nas festas, nas fábricas, nas escolas, nos hospitais,… Quão grande influência sobre os outros pode ter uma pessoa casta!

A virtude da castidade se desenvolve na amizade. Diz-nos como seguir e imitar a Jesus Cristo que nos escolheu para sermos seus amigos. Sim! Imitar a Ele, que se entregou totalmente por nós, porque nos ama, e porque quer nos fazer participantes de sua condição divina; Imitar o amigo fiel, o amigo amoroso, o amigo bondoso, o amigo íntimo que se entregou por nós. Viver a castidade é viver desde agora a promessa de imortalidade.

A amizade com o Senhor tem que ser expressa na amizade com o próximo. Quando se desenvolve entre pessoas do mesmo ou diferente sexo, é um grande bem para todos.

Que grandeza tem a castidade! A segurança pode nos dar para alcançar a vida eterna! Que grande satisfação pode oferecer-nos saber que estamos imitando a Jesus Cristo.

VOCÊ É CHAMADO A VIVER A CASTIDADE!

VOCÊ TEM VOCAÇÃO PARA CASTIDADE!

Por: Gonzalo Estrada

Tradução: Mila Renata
Revisão: Christian Pacheco

Fonte: Catholic.net

Texto original: http://es.catholic.net/op/articulos/5541/cat/329/castidad-defensa-del-amor-contra-el-egoismo.html#

[] – Fizemos algumas adaptações para facilitar o entendimento do leitor.
* – Ao traduzir tivemos o cuidado de deixar o sentido mais claro, não traduzindo literalmente.
Siglas: CIC – Catecismo da Igreja Católica
FC – Familiaris Consortio
GS – Gaudium Spes

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