Uma chamada ao pudor

[É fato que todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso adultera com ela em seu coração, no entanto, isso não exclui das mulheres a grave responsabilidade, de preservar-se – pelo seu modo de vestir, portar e falar – de olhares  e pensamentos indecorosos e desonestos dos homens.

Atualmente existe uma cultuação ao corpo, uma exaltação do físico, como se o corpo fosse o bem mais precioso do ser humano, e temos incutido em nossa cultura que “o que é bonito é para se mostrar”, porém a mulher que cede a essa ideia, cai numa armadilha terrível, seu corpo passa a ser objeto de satisfação sexual dos homens, quer desejem isso ou não.

Vale refletir um pouco disse, certa vez, Crystalina Evert: -“Estou convencida de que os homens serão tão cavalheiros quanto nós mulheres formos damas. Mas eu não agia e nem me vestia como uma dama, por isso eles não viam nenhuma necessidade de se elevarem e de se portarem comigo como cavalheiros“.

Uma proposta de castidade não pode dar resultado sem a virtude do pudor no vestir, tanto em homens como em mulheres. Também o homem deve ser modesto, embora não pensemos frequentemente nisso: sungas minúsculas, calças excessivamente justas, camisetas sem mangas e abertas até a cintura não são próprias de um verdadeiro cristão.

No entanto, como escreveu Santa Teresa de Jesus na sua autobiografia, “as mulheres têm obrigação de ser mais modestas que os homens”. Portanto, centrar-no-emos especialmente no tema do pudor das mulheres.

Permitam-me que lhes conte uma história. Uma tarde, uma jovem da nossa associação católica de mulheres solteiras pensava no vestido que escolheria para assistir a um casamento. Telefonou ao pai a pedir-lhe a opinião. Ele disse-lhe: -“Bem, você tem pernas bonitas, por que não usa algo curto?” Então ela usou “algo curto”… e quase provocou um terremoto. Não foi o seu momento mais feliz. Depois daquilo, começamos a falar sobre o pudor e ela passou a vestir-se de forma mais recatada.

Mais tarde, disse-me que tinha ido a uma festa e que o seu vestido discreto tinha chamado mais a atenção do que os das que vestiam roupas chamativas! [Os homens podem até gostar de apreciar um decote, ou roupas justas e curtas no corpo de uma mulher, mas por mais que ele goste disso, ele não gosta da ideia que outros homens vejam sua mãe, irmã, namorada ou esposa vestidas assim, exceto claro, esse pai do exemplo que parece não estar preocupado com a preservação da imagem da filha].

Como as mulheres olham mais para a pessoa no seu conjunto, costumam ser menos conscientes de como os homens as olham. João Paulo II poderava em Amor e responsabilidade: “Como a sensualidade é geralmente mais forte e mais acentuada nos homens, e os faz considerar o «corpo como um objeto de prazer», parece que seria de esperar que o pudor, enquanto tendência a diminuir a atração sexual do corpo, fosse mais pronunciado nas moças e nas mulheres”.

As mulheres costumam ser conscientes de que os homens se sentem fisicamente atraídos por elas, mas não costumam ter a mais remota ideia da intensidade dessa atração.

Quando uma mulher vê um homem de boa aparência, pensa: “É bonito”. Quando um homem vê uma mulher bem parecida, a sua reação é muito mais intensa.

Muitos jovens que acreditam na castidade, e se esforçam para vivê-la, nunca repararam na importância da modéstia nas mulheres. Alguns estão completamente possuídos pelo desejo de gozar do espetáculo de uma bela mulher de saia curta e apertada, [ou qualquer calça que torneia e delineia]. Mas quando começam a pensar nas causas primordiais da luxúria, não demoram a reconhecer o efeito negativo que isso tem sobre eles. O pe. David Knight, em Good News About Sex, pensa que “seria uma propositada ingenuidade, nesta época de sofisticação psicológica, ignorar que determinado estímulo visual é objetiva e geralmente provocante para o apetite sexual de um jovem normal. 

Poderíamos fechar os olhos a essa realidade, mas os comerciantes não o fazem. E as fortunas que obtêm pondo em prática as suas ideias demonstram que sabem o que fazem… Quer as jovens e as mulheres da nossa cultura ignorem ou não o que se passa, – [como citado no inicio do texto] – quem perde são elas… Na medida em que um determinado estilo de vestir é consciente e deliberadamente provocante – por parte do estilista, da cliente ou de ambos -, esse modo de vestir deve ser considerado como uma violação ao pudor, pois estimula um desejo sexual em quem talvez não queira excitar-se. Cada vez que isso acontece aos homens (que são mais inclinados que as mulheres a esse tipo de excitação), sempre se provoca um certo mal-estar, reconheçam-no ou não…”

Por outro lado, como recorda o Catecismo, “A pureza exige o pudor. O pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de mostrar o que deve ficar oculto. Ordena-se para a castidade, cuja delicadeza proclama. Orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e os sentimentos que as unem.

O pudor protege o mistério da pessoa e do seu amor […] Exige que se cumpram as condições da doação e do compromisso definitivo do homem e da mulher entre si. O pudor é modéstia; inspira a escolha no modo de vestir. Mantém  o silêncio ou certa reserva quando se entrevê o risco de uma curiosidade malsã. Torna-se discrição.” 

[Cito ainda o mesmo autor para finalizar, “Que mulher quer ser lembrada por suas pernas? Ou pelo seu umbigo? Não preferiria ser lembrada pela sua afabilidade, personalidade, [elegância], decência, bondade ou piedade?

Se uma mulher ressalta exageradamente os seus encantos físicos,
certamente apagará outros, mais pessoais, mais importantes e mais duradouros”.

De fato, sabemos que as modas não ajudam muito, mas estou convencido que as mulheres conseguem quando querem, ser mais elegantes e modestas, que imodestas ou sensuais, e isso certamente fará com que os homens as enxerguem de uma maneira diferente.

Aos homens, deixo uma recomendação, primeiro a guarda da vista e dos pensamentos libidinosos e desonestos, e ainda esforcemo-nos para que sempre, ao vermos uma mulher bonita e formosa, dirigir nosso olhar e nosso trato para elas como gostaríamos que os outros homens se portassem diante de nossas mães e irmãs.]

 

[ ] Por Christian Pacheco

Textos extraídos do Livro: O Namoro Cristão em um mundo supersexualizado, do Pe. Thomas Morrow.

 

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