Maternidade no mundo moderno

Em junho de 2017, lendo as notícias do dia, me deparei com a seguinte mancheteAmo meu filho, mas odeio ser mãe”, confira relatos de mulheres que têm aversão à maternidade.

Muitas vezes a maternidade é romantizada nos livros e filmes. O “instinto maternal” parece algo que simplesmente surge em você e daí para frente será tudo lindo. Hoje, muitas mulheres estão na direção contrária, chegando a demonizar a maternidade; A “mulher moderna” não quer mais ser mãe, pois “atrapalhará” sua carreira, seus objetivos de viajar pelo mundo. Lendo a reportagem e os relatos, todas dizem como a vida mudou depois da criança nascer e que por isso odeiam ser mães.

A criança se torna um fardo, uma pedra que atrapalha o caminho que quero conquistar. E depois, como é ruim para um filho saber que ele foi visto em algum momento de sua existência como um fardo para os pais.

A maternidade é dom e chamado de Deus para todas as mulheres. Novamente, eu disse TODAS as mulheres são chamadas a serem mães.

Mas é necessário entender o que é ser mãe para depois entender esse chamado universal.

Atualmente ser mãe é visto como um trabalho, uma função, que caso eu não goste, eu posso tirar férias ou me demitir. Mas não. É uma vocação, e por isso, não existe pedido de demissão. É algo que temos que fazer o tempo todo na nossa vida. Mas é algo que desenvolvemos, não nascemos prontos, temos que nos permitir aprender.

Como todas essas mães da entrevista disseram, é necessário colocar o filho em primeiro lugar, deixar o comodismo de lado, e matar o nosso egoísmo. E isso é difícil e dói. Dói sair do meu lugar em benefício do outro, mesmo que seja um outro que eu ame.

Essas mães reclamam que se sentem julgadas por suas escolhas e por não seguirem um padrão – parto normal ou cesária, amamentar ou dar mamadeira, sair para trabalhar ou largar o emprego para cuidar dos filhos.

Mas ser mãe é muito mais sobre educar, se sacrificar, ajudar, colocar o outro e as necessidades do outro primeiro do que uma fórmula pronta do que devemos fazer.

Como disse anteriormente, é um chamado para TODAS as mulheres. Mas e as consagradas ou mulheres inférteis? Como viver essa vocação?

A maternidade é muito além da maternidade biológica. Apesar de ser extremamente importante, ser co-criador de uma vida com Deus, de ser um processo maravilhoso, e mais ainda, ser imagem e semelhança de Deus no gerar e dar a vida, a maternidade não cabe somente nisso.

Se olhamos para Maria, o nosso maior exemplo de mulher e de mãe, ela gerou o próprio Deus no seu ventre. Ensinou, educou, cuidou, se sacrificou tantas vezes no papel de ser mãe. Mas não parou na maternidade biológica. Quando Jesus, na cruz, a direciona como mãe da humanidade – “Mulher, eis aí o teu filho” – ela assume essa responsabilidade e vocação. Está próxima dos discípulos, ensinando, mostrando o caminho, intercedendo. Tanto é que ela está presente no Pentecostes e em tantos outros momentos.

Ainda hoje, as suas aparições certificadas pela Igreja, Maria está nos guiando, ensinando, cuidando. Veja por exemplo em Fátima, Maria mostra o inferno e nos pede para rezar para que nenhuma alma se perca. Ela mostra a importância de sacrifícios, mas tem certeza da vitória: “No fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.

Em Guadalupe, ela mostra cuidado e carinho quando fala “Que não se perturbe o seu rosto, nem seu coração. Não temas esta doença nem nenhuma outra, não fiques aflito, não estou eu aqui, que sou sua mãe? Você não está debaixo da minha sombra e sob o meu cuidado? Não sou eu a fonte da sua alegria?”

Em Labouré, na França, Maria aparece com o título de Medalha Milagrosa para Santa Catarina para ensinar e ajudar. “A Santíssima Virgem disse-me como eu devia conduzir-me com o meu confessor e várias coisas mais” “Estes raios são o símbolo das graças que a Santíssima Virgem alcança para as pessoas que lhe pedem…”

Por isso, nós mulheres somos chamadas a imitar Maria na maternidade. Somos chamadas a ensinar, cuidar, ajudar, exortar, guiar nossos filhos. Não somente filhos biológicos, mas também filhos espirituais. Por isso, todas são chamadas a assumir essa vocação de amar como Deus ama, de participar do plano de salvação de Deus, de ser mãe.

Atualmente muitas mulheres temem a maternidade, ou chegam até a ser avessas a ela, devido aqueles e entre outros motivos que citamos acima, e também do terror que – a mídia anti-natalista, ou outras pessoas que passaram por experiências ruins, ou que não compreenderam o sentido profundo dessa vocação – fazem dela.  

Mas, veja a surpresa: todas as entrevistadas, ao serem questionadas se fariam diferente e não teriam seus filhos caso tivessem a chance de voltar atrás, responderam, sem pestanejar, não. É como se elas, apesar de todo o desconforto que passam por não se encaixarem na posição que estão e estarão, pro resto de suas vidas, não desistissem da companhia e de fazer o melhor sempre pelos filhos.

 

Por Isabela Latif

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